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Artrite Reumatóide e Espondilite Anquilosante


ARTRITE REUMATÓIDE




É uma doença inflamatória crónica caracterizada pela inflamação simétrica das articulações periféricas, que ocorre com destruição da cartilagem e do osso.
Quando não é tratada conduz à incapacitação e à morte prematura. Insere-se nas doenças autoimunes, de etiologia desconhecida, que leva à produção de anticorpos anti-IgG ou factor reumatóide. Os complexos Ag/Ac depositam-se nas  articulações, originando sinovites, e também no pulmão, músculo, coração e olho.

É mais comum na mulher (pico de incidência:50-60 anos) e tem uma predisposição genética ligada ao HLA-DR4 (80% dos doentes).

Embora se desconheça o que desencadeia a inflamação, há uma chamada ao local de linfócitos e leucócitos;
Dá-se a proliferação das células sinoviais e ocorre a formação de um tecido granular e invasivo (Panus) que cresce de forma semelhante a um tumor benigno, invadindo a cartilagem e libertando enzimas que degradam a cartilagem e o osso. A articulação destruída sofre fibrose o que torna difícil o movimento – Anquilação.


Manifestações clínicas:

- Fadiga, Anorexia, Depressão, Perda de Peso, Astenia ou fraqueza geral, Febre e Anemia Rigidez matinal
- Localização preferencial nas mãos e pulsos de nódulos periarticulares (situado à volta de uma articulação) nas articulações interfalangeas proximais e distais da mão
- Nódulos subcutâneos noutras zonas do corpo
- Hiperflexão dos músculos (dedos de cisne)

Tratamento:
- Corticosteróides
- Anti-TNF-α

Diagnóstico diferencial

Pelo menos, 4 destes critérios devem estar presentes:
- Rigidez matinal que dura mais de uma hora (durante 6 semanas pelo menos).
- Inflamação (artrite) em 3 ou mais articulações (durante 6 semanas pelo menos).
- Artrite na mão, punho, ou articulações dos dedos (durante 6 semanas pelo menos).

*Factor reumatóide positivo.
- Mudanças características nas radiografias.
- Nódulos subcutâneos

*Factor Reumatóide
- Auto-anticorpo (IgM) com reactividade para a Fc das IgG autólogas
- Surge positivo em cerca de 75-80% dos doentes com AR.
- A percentagem de resultados negativos na fase inicial é muito elevada.
- Quanto mais alta a concentração, maior a probabilidade de AR.
- Não é específico da AR, observando-se em cerca de 5% da população normal. Mas quando presente em titulos altos está associada a um mau prognóstico relativamente às erosões articulares e manifestações extra-articulares.

Testes habituais para detecção:
- RA teste (teste de agutinação)
- Waaler-Rose (teste rápido de aglutinação para a determinação qualitativa em placa);
- Nefelometria (reacção de imunoprecipitação que mede a quantidade de luz difractada devido à presença de complexos imunológicos).


Testes Laboratoriais

Hemograma – Anemia normocítica normocrómica
VS – Elevada
Leucograma – Normal ou leucocitose
Factor reumatóide – Elevado
Anticorpos anti-péptidos ciclicos citrulinados CCP – Raramente positivo
Epitopo HLA-BRB 104 – Positivo
Anticorpos antinucleares – Raramente positivo

Anticorpos anti péptidos ciclicos citrulinados (CCP)
- São anticorpos que reagem com Ags com um conteúdo elevado
de resíduos de citrulina, com uma elevada especificidade para a AR (95-98%), muito úteis no seu diagnóstico precoce.
- Podem  ser  positivos 2 a 5 anos antes dos sintomas
- Quando associados ao HLA-DRB1*04 têm um elevado valor de prognóstico.

A alteração dos seus títulos não serve para monitorizar o tratamento.


ESPONDILITE ANQUILOSANTE



Corresponde à inflamação dos ligamentos intervertebrais com fibrose e formação de pontes ósseas entre os corpos vertebrais (coluna em cana de bambu), assim como à Inflamação das inserções dos tendões nos ossos.

Caracteriza-se por sacroiliíte (inflamação na região sacral sem formação de edema), espondilite (inflamação vertebral) e rigidez da coluna.

Aparece primeiro na região lombar mas estende-se às articulações periféricas. Pode ocorrer uveite (inflamação da úvea – camada pigmentar da íris) aguda (unilateral) e fotoretinite (inflamação da retina por estimulação de fontes luminosas).

Surge habitualmente no adulto jovem, estando ligada ao Ag HLAB27.


Osteomalácia / Raquitismo e Doença de Paget


OSTEOMALÁCIA OU RAQUITISMO



Ao contrário da osteoporose, em que existe perda de massa óssea total, esta patologia caracteriza-se por uma mineralização deficiente da matriz óssea, devido à carência de cálcio. O raquitismo (designação nas crianças) era bastante frequente uma vez que, antigamente, não era dada importância ao consumo de produtos lácticos diariamente e a exposição ao sol era diminuta.
No adulto, a principal causa de osteomalácia é a formação reduzida de vit.D, nomeadamente na presença de insuficiências renais crónicas, pele coberta (não absorve vit.D) e um deficiente aporte alimentar de cálcio.
Outro problema pode ser a ingestão excessiva de sais de alumínio (geralmente tomados para tratar azia, gastrites...) que se ligam ao fosfato, impedindo a sua absorção no intestino, contribuindo assim para a deficiente mineralização do osso.


DOENÇA DE PAGET

Patologia rara. Aparece no indivíduo de idade mais avançada.
Traduz-se numa deformação acentuada do osso por uma destruição progressiva e descontrolada por osteoclastos anormalmente grandes que fragilizam o osso. Na doença de Paget, a velocidade da reabsorção e construção ósseas estão aumentadas, causando a destruição progressiva de ossos e posterior reconstrução de um osso desorganizado e, consequentemente, mais fraco. Esta patologia caracteriza-se por uma elevação acentuada da fosfatase alcalina e da excreção de Hidroxiprolina. Só o exame radiológico permite avaliar a presença desta doença.

Osteoporose

A OSTEOPOROSE é uma doença esquelética sistémica (osteopatia metabólica) caracterizada pela diminuição da massa e deterioração da microarquitectura ósseas, com aumento da fragilidade do osso e do risco de fractura, uma vez que o equilíbrio entre a formação e a reabsorção do osso se encontra alterado.

Afecta 20 a 30% das mulheres após a menopausa, 50% das mulheres acima dos 60 anos, e 13% dos homens acima dos 50 anos. As doenças do metabolismo mineral e ósseo têm vindo a aumentar com o envelhecimento da população, daí que seja cada vez mais importante o rastreio e o diagnóstico precoce.
A evolução da doença: Osteopenia -> osteoporose -> Fragilidade óssea -> Fractura

NOTA: Osteopenia é uma patologia que consiste na diminuição da densidade mineral dos ossos. É precursora da osteoporose. Classifica-se osteopenia quando a massa óssea é de 10 a 25% menor que a considerada normal; mais do que isso classifica-se como osteoporose.

Osteorposose primária

- Não surge como consequência de nenhuma outra doença
- Idiopática da criança e do jovem (doença de origem congénita é rara)
- Involutiva: Tipo I (pós-menopausa) – Sexo feminino, o osso afectado é trabecular e a velocidade de perda de massa óssea e a sua causa fundamental é a menopausa; Tipo II ou Senil (Idoso, homem e mulher com mais de 70 anos) – osso afectado é trabecular e compacto, a velocidade de perda de massa óssea não é acelerada e a causa fundamental é o envelhecimento.

Osteoporose secundária

Deve-se a tratamentos, patologias e factores hormonais que estimulam a actividade dos osteoclastos e, portanto aceleram a perda de massa óssea, como, por exemplo, tratamentos com anticoagulantes (heparina e derivados), anticonvulsionantes e citostáticos. Pode também ser provocada por tumores que metastizam para os ossos.
Quer no homem, quer na mulher, a osteoporose e o aumento do risco de fracturas podem ocorrer como consequência de diversas situações clínicas:
•          Doenças genéticas,
•          Hipogonadismo (défice de hormonas sexuais),
•          Doenças endócrinas (hormonais),
•          Doenças hematológicas (doenças do sangue),
•          Doenças gastrointestinais,
•          Deficiências nutricionais,
•          Distúrbios alimentares (excesso de proteínas, sódio, fosfatos e cafeína)
•          Alcoolismo e tabagismo
•          Doenças auto-imunes (como a artrite reumatóide e HIV),
•          Fármacos e toxinas,
•          Doenças crónicas sistémicas, tais como doença renal grave.

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